Chega um momento na vida em que ser incluído nas coisas deixa de ser prioridade. A necessidade de estar em todos os lugares, com todas as pessoas, sabendo de tudo, perde força. O que antes era interpretado como rejeição, hoje é compreendido como proteção. E isso não vem da noite para o dia. É fruto de um processo interno, silencioso, às vezes doloroso, mas profundamente libertador.
A frase que inspira esse texto diz algo simples e potente: hoje em dia são poucos que eu considero, poucos que confio, poucos que participam da minha vida e poucos que me importo. Isso carrega uma carga simbólica enorme. Na linguagem da psicanálise, podemos entender esse movimento como uma reorganização do investimento libidinal. Explico.
Quando crescemos emocionalmente, aprendemos a redirecionar nossa energia afetiva. Deixamos de investir em relações que nos esgotam, que nos fazem duvidar de quem somos, que nos colocam sempre no lugar da espera. Não se trata de orgulho, frieza ou fechamento. Trata-se de autocuidado. Trata-se de sobrevivência psíquica.
A psicanálise nos ensina que o desejo do outro tem um papel fundamental na constituição do nosso eu. Durante a infância, por exemplo, é natural querer ser visto, reconhecido, amado. É através do olhar do outro que vamos nos formando. Mas, com o tempo, é necessário sair desse lugar de dependência para encontrar a própria medida de valor. Esse é um dos maiores desafios do amadurecimento emocional: separar a necessidade de pertencer da escolha consciente de com quem partilhar a vida.
Quantas vezes você já se sentiu mal por não ter sido convidado para algo? Quantas vezes interpretou isso como sinal de que não era importante? A dor de não ser incluído, muitas vezes, remete a feridas mais profundas. Às vezes, é a criança em nós que chora por não ter sido vista. Por isso, a saída não é endurecer, mas compreender.
Compreender que estar em todos os lugares pode ser exaustivo. Compreender que nem todo convite é saudável. Compreender que sua paz vale mais do que qualquer aparição. E, acima de tudo, compreender que a sua presença é valiosa demais para ser desperdiçada onde não há reciprocidade.
Nesse processo, surgem algumas perguntas importantes:
Quem realmente merece meu tempo?
Em quais relações me sinto acolhido?
O que estou tentando preencher ao insistir em estar onde não sou desejado?
Essas perguntas não têm respostas simples, mas já nos conduzem para um caminho mais consciente. A maturidade emocional passa por aprender a escolher com quem caminhar. E, mais do que isso, aprender a caminhar sozinho quando for necessário.
Se você sente que está nesse momento de vida em que prefere estar só do que mal acompanhado, saiba que isso não é isolamento. Isso é um sinal claro de que você está amadurecendo. E, para a psicanálise, maturidade é justamente isso: aprender a lidar com a falta sem se desorganizar.
Não se trata de excluir os outros do seu mundo, mas de incluir-se nele. É colocar-se no centro da própria existência, com responsabilidade, com afeto e com consciência. Poucos são os que ficam, mas esses poucos valem por muitos.
Se você está nesse ponto da jornada, acolha-se. Permita-se esse novo lugar onde o silêncio é confortável, a companhia é escolhida e o amor-próprio se torna guia.
Esse é o tipo de solidão que cura. E, paradoxalmente, é nela que reencontramos os vínculos mais verdadeiros.
Se você também está nesse momento de escolher a paz em vez da aprovação, compartilhe esse texto com alguém que precisa se sentir compreendido. E se quiser continuar refletindo sobre relações, autoconhecimento e amadurecimento emocional, me acompanhe por aqui. Vamos juntos transformar desamparo em força.